quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Calculadora Multo – publicação 22

“É vedada a utilização de quaisquer informações aqui contidas, para fins lucrativos ou comerciais, sem autorização expressa de seu curador, sob pena de indenização judicial.”
Nesta postagem, o Museu de Antigas Máquinas Manuais de Costurar (MAMC), apresenta algumas presenças em seu acervo secundário, brindado por ilustres peças não menos importantes. Assim, seu rico acervo é também povoado por antigas balanças, candeeiros, relógios de parede, moedores de grãos, maquininhas de calcular,…  E, justamente esta, ilustra o motivo da presente publicação.

Calculadora Multo, sueca, década de 1950

Os historiadores relatam que o homem, na origem da relação lógica do cálculo, utilizava como ferramental os próprios dedos. Depois passou a expressar sinais rupestres, seriados e em baixo relevo.
Lá pelo 4º milênio antes de Cristo, os fenícios inventaram a impressão de algarismos em placa de argila fresca, com a finalidade de facilitar “as contas”.     Denominaram o sistema de ÁBACO.    Depois, um tabuleiro coberto por areia, similar ao utilizado para escrever, era utilizado para cálculos aritméticos e demonstrativos.
Com o tempo foi aperfeiçoado e, dois séculos antes de Jesus, já era constituído por pedrinhas deslizantes em varetas paralelas, estruturado por um quadro de madeira.
 ábaco

O grande progresso da máquina de calcular ocorreu em 1642, quando o adolescente francês Blaise Pascal, com apenas 18 anos, desenvolveu a “Pascalina”. O sistema possuía um conjunto de engrenagens interligadas, onde cada módulo era decimal em relação ao esquerdo. Foi a precursora dos processos lógicos atuais.
A perfeição da máquina permitiu seu acervamento no Conservatoire des Arts et Metiers, em Paris e, quase quatro séculos depois, ainda funciona. pascalina

Passados 30 anos, em 1673, o alemão Gottfried Leibnitz, aperfeiçoou a “Pascalina”, inventando uma máquina que efetuava multiplicação e divisão, em processo de adição (ou subtração) de parcelas.
 Calculadora Leibnitz 
E, na data da independência do Brasil (1822), na Inglaterra, o cientista Charles Babbage desenvolveu um sistema mecânico que permitia cálculos com funções trigonométricas e logarítmicas.
Na metade do século XX, diversas indústrias já produziam calculadoras, com emaranhado sistema mecânico.


DSC07484

Esta calculadora Multo, modelo 3, fabricada na Suécia na metade do século passado, foi uma gentilíssima doação ao nosso museu, pelos queridos amigos Ruy/Marlene e foi utilizada por eles durante décadas, em sua empresa.
Seu sitema de funcionamento é mecânico, por acionamento manual e, justamente por este motivo, exige um bom grau de compenetração e de entendimento.   Ela processa as quatro operações de maneira lógica, quais sejam:
A SOMA, é cumulativa e cada algarismo é registrado mecanicamente por um cursor móvel. As parcelas numéricas então são acrescentadas por acionamento de manivela.
A SUBTRAÇÃO é análoga à soma, porém invertida, abatendo cada parcela da anterior.
A MULTIPLICAÇÃO é mais complexa e baseia-se em seu princípio elementar, realizada por sucessivas adições de parcelas. O cursor inferior é móvel, permitindo acessar cada respectiva casa decimal. Assim ao multiplicar números com vários algarismos, acessa-se os decimais em sequência, assim como antigamente se executava à mão. À esquerda do cursor móvel há indicação do número de vezes que a parcela foi adicionada.
A DIVISÂO é ainda mais extravagante, para nós, escravos das eletrônicas. Alicerçada no procedimento elementar do cálculo realizado à mão, é efetivada ao contrário da multiplicação. Assemelha-se ao procedimento que fazíamos com lápis no caderno de aritmética. A máquina possui um providencial “sininho” que soa quando alguma parcela deduzida excede o valor de seu decimal correspondente.
Certamente, esta informação verbal é de difícil interpretação, principalmente para quem não mais executa multiplicações e divisões realizadas à mão.

DSC07485

Não necessitou de restauro, após ligeira limpeza e lubrificação, recebeu pés emborrachados (gentileza do “www.museudoradio.com) e teve sua capa protetora recosturada (delicadamente executada pela rainha San).
Então, devidamente protegida, aposentada após o digno trabalho de décadas, mantida presente como digna página na história da evolução técnica mecânica.
Prof. Darlou D’Arisbo

Pensamento do dia: “ Evitarei, com todas as minhas forças, duas calamidades: a pressa e a indecisão.” (9º Mandamento da Serenidade)
 
 
 
       



































4 comentários:

  1. Belissima contribuição ao Museu!
    como sempre uma bela postagem

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  2. Bom dia. Tenho uma calculadora cuja marca se perdeu no tempo. Entretanto, por pesquisas na Internet e por similaridade, encontrei a marca "MULTO". Neste site está um exemplo http://www.johnwolff.id.au/calculators/pinwheel/pinwheel.htm#Multo3.
    Entretanto, você atribui à sua máquina a marca "MUTTO". São duas marcas, ou alguém se equivocou? Abraços.

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    1. Prezado: Realmente a marca é MULTO. Escusamo-nos pela falha, parabenizando-o pela comunicação. Vossa elucidadora informação corrobora a intenção de nosso blog, pois que assim também instruimo-nos. Penhoramos aqui nosso agradecimento.

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  3. Gostei muitíssimo da história s/a Multo, cujo nome fui descobri agora pq apesar de ter trabalhado nesse tipo de calculadora, a mesma não tinha nome. Só agora tive interesse pelo assunto visto que ao vê-la num brik tratei de comprá-la pois reconheci o valor do passado ao lembrar que na Multo muito trabalhei em 1962. Recuperei-a em parte por fora e no interior, depois de abri-la, me deparei com uma engrenagem emperrada que não consegui desengripar até agora. Descobri como funciona mas falta algo que não descobri do funcionamento. Pena que não consigo ninguém que a conserte, mas por sorte, está no meu balcão/bar para os meus neto e bisnetos apreciarem. Grato e Parabéns ao site.


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